Consumidor
A Fúria espanhola
jul 15th

A Copa trouxe para a Espanha o título de campeã mundial e para algumas empresas, entre elas a Toshiba, muita dor de cabeça.
Com a chamada: “Se a vermelha ganhar, você ganha”, a Toshiba lançou a seguinte promoção: Na compra de um laptop da marca com o novo processador Intel Core i5 ou de uma TV Toshiba, você recebe todo o seu dinheiro de volta CASO A ESPANHA SEJA CAMPEÃ MUNDIAL DE FUTEBOL.
Pronto, tava feito o rolo. Esse excesso de desconfiança na seleção espanhola está custando caro para a marca, que agora tenta se defender de uma multidão de consumidores literalmente furiosos.
O problema reside no fato de que nenhuma das peças publicitárias da promoção dizia que, para participar, o comprador deveria antes se cadastrar no site da Toshiba. Essa informação só existia no próprio site. Conclusão, muitos compraram, pouquíssimos se cadastraram e a grande maioria se sentiu lesado.
Com a queixa de que a publicidade não falava nada sobre se registrar ou qualquer outra necessidade, várias associações de consumidores da Espanha entraram com ações contra a empresa, exigindo o dinheiro dos consumidores de volta.
Apesar de possuir um seguro que a salvaguardava no caso de uma eventual vitória da Espanha (e do consequente ressarcimento dos consumidores), a Toshiba não aceita devolver o dinheiro, afirmando que não havia por parte da marca nenhuma obrigação em comunicar em suas peças publicitárias a necessidade de registro do produto. Alegam ainda haver na Espanha uma conspiração armada contra a Toshiba.
Também na Espanha, o banco Banesto (pertencente ao Santander), mesmo sem seguro, abriu antes do Mundial um depósito especial comemorativo, que terá sua remuneração elevada de 3% para 4% anuais com o título conquistado pela Fúria. Essa ação custará pelo menos 10 milhões de euros adicionais ao Banesto, que apesar de tudo fez um excelente negócio. No período pré Copa, o banco recebeu depósitos superiores a 1 bilhão de euros por causa dessa “promoção”.
O Carrefour, por sua vez, teve que validar 10 mil cupons de 100 euros que poderão ser usados em compras, em virtude da Copa conquistada.
Nesse furdunço todo, o que mais preocupa são as pequenas empresas que também entraram na dança por terem feito promoções do gênero. Uma multinacional do porte da Toshiba poderia, se quisesse, assumir os custos dessa ação. Uma empresa menor porém…
Aqui no Brasil seria muito arriscado fazer algo do gênero por dois motivos: A camisa verde e amarela já provou ser páreo duro em outras Copas e a nossa legislação de defesa do consumidor é uma das mais avançadas do mundo.
Se bem que, depois da convocação do Dunga, dava até pra arriscar, fala aê?
Alpino Fast Nestlé – Rá! Pegadinha com o Consumidor
mai 14th
O caso do Alpino Fast está rolando na internet e na boca do povo, segundo a Folha de São Paulo a Nestlé foi acusada, no começo dessa semana, de induzir o consumidor ao erro fazendo uma bebida que tem a embalagem do Alpino, nome do Alpino, mais que não contém Alpino.
Por estas acusações a Nestlé poderá pagar até 11,5 milhões em multa de acordo com órgãos de defesa do consumidor. Ainda de acordo com o CONAR a embalagem do produto terá que mudar, pois é considerada propaganda.
Imagem do Blog “Coma com os Olhos”
Bom, essa é mais uma das pegadinhas que vários consumidores (inclusive eu) caíram achando que estão bebendo um produto e na realidade não é nada disso. Pegadinhas na TV são engraçadas, mas elas ficam sem graça quando nós somos enganados.
Eu comprei um Alpino Fast na faculdade esses dias atrás e realmente achei que não tinha gosto nenhum de Alpino, mas como todo consumidor que confia na marca, achei que o gosto havia mudado por ser Alpino derretido e não o chocolate que nós estamos acostumados a comer.
Muito espertinha essa Nestlé não é?!
Para saber tudo sobre o caso Alpino Fast , Seguem 3 links, 1 2 3, da Folha On line e o link do Blog “Coma com os Olhos“, o primeiro a ventilar a história na internet.
Ahhhhh, passa amanhã…
jan 29th
Do momento em que acordamos até a hora em que vamos dormir somos bombardeados por propagandas de todos os lados. Ao ligar a TV, o Rádio, ao abrir uma revista, ao levar o cachorro para passear, ao navegar na internet. Tem sempre alguém querendo nos vender alguma coisa. Nada contra, afinal, esse também é o meu ganha pão. O problema aparece quando o produto não interessa e o que é pior, quando o “vendedor” passa a ser chato. Artificial.
Acho que hoje a maior prova de chatice publicitária é o product placement tupiniquim (conhecido popularmente como merchandising). Foge a minha compreensão o porquê uma forma de exibição de marca/produto tão legal e habilmente usada por estadunidenses, europeus e até asiáticos, em nossas mãos, vira um momento de total vergonha alheia.
Nos filmes, seriados e clipes importados é comum ver marcas como Apple, Coca-Cola, Starbucks e seus produtos colocados escancaradamente na nossa frente. Eu só não me lembro de ter visto algum ator se referir a eles em cena. Por exemplo: Um casal deitado numa cama, conversando. Ele lendo um livro. Ela com um Macbook no colo. Eles estão falando sobre alguma coisa, mas ele não cita o livro e ela não diz nada sobre o Mac. Mas a maçã iluminada está lá apontada para a sua (minha) cara, e quer saber? Eu adoro! Queria ter um daqueles brinquedinhos! Queria ter uma mulher daquelas! Queria ter uma vida daquelas! E é isso. O product placement surtiu efeito. Não tentou me vender um produto da Apple, mas me vendeu “o sentimento de ter um produto da Apple”. Fiquei com vontade e confesso que de verdade estou louco pra comprar um Macbook. E isso acontece sempre: Queria passar numa Starbucks a caminho do trabalho para comprar café para mim e para os meus colegas da criação, queria ter uma Harley-Davidson para cruzar o país, queria um tênis da Nike para correr no Central Park.
Por falar em Nike, o @johnnytrainoti lembrou aqui de um PP no filme Forrest Gump. A namorada de Forrest lhe dá um par de tênis “especiais para corrida”. Mais tarde, quando perguntado por que ele corria o protagonista responde: “Eu apenas corro” ou traduzindo: JUST DO IT! Lindo isso!
Mas aí me vem a Rede Globo com o seu merchandising de novela: Mãe e filho na cozinha conversam. Ele em pé tomando água. Ela sentada em frente a um laptop navegando na internet. Ele diz: “Mãe, que tal se a gente fosse jantar juntos?” e ela responde “Calma filho, deixa eu fazer uma transferência no Itaú Bankline! É rápido, prático e seguro… pronto, terminei! Vamos jantar meu lindo”.
Ou ainda: Duas amigas conversam na sala. Uma terceira entra com a sacolinha da Natura (Detalhe, a casa é uma mansão e as mulheres certamente teriam dinheiro para usar produtos importados e bem mais caros, tornando a cena inverossímil), daí uma delas vira e diz: “Nossa são cremes?” (detalhe 2, como ela adivinhou?) e recebe como resposta: “Sim, são cremes! Acabei de pegar com a minha revendedora!”.
Pronto, a Rede Globo acabou de perder a oportunidade de ganhar um bom dinheiro apresentando uma bela geladeira inox da Bosch e um laptop Sony Vaio, no caso do primeiro exemplo e também de vender um Tag Heuer no pulso de uma delas e uma TV LG de 52” no segundo caso (aliás, por que a gente não vê aparelhos de tv nas salas das novelas?), tudo isso sem a necessidade de me deixar com ânsia de vômito.
E pra não dizer que não falei em flores (ou filmes), as produções nacionais também não primam pela sutileza, tendo em vista o grande número de fachadas de banco “aparecendo” durante as tomadas.
Como eu disse anteriormente, eu não entendo isso. Será que as TVs brasileiras acham que os telespectadores são tão burros que não perceberiam uma marca inserida no contexto da trama? E outra, o que é mais importante, me dizer que esse ou aquele produto/serviço quer fazer parte da minha vida ou me deixar com vontade de que ele o faça? Product placement brazuca me deixa com sentimento de vergonha alheia do ator, do canal de tv, do produto/serviço em questão e da marca.
Será tão difícil assim acertar na mosca? Não sei, só sei que agora eu vou tomar a minha Coca-Cola ultra gelada e comer as deliciosas bananinhas da Padaria Pão da Hora. Até +.
