Legislação Publicitária

A Fúria espanhola

Furia espanhola

A Copa trouxe para a Espanha o título de campeã mundial e para algumas empresas, entre elas a Toshiba, muita dor de cabeça.

Com a chamada: “Se a vermelha ganhar, você ganha”, a Toshiba lançou a seguinte promoção: Na compra de um laptop da marca com o novo processador Intel Core i5 ou de uma TV Toshiba, você recebe todo o seu dinheiro de volta CASO A ESPANHA SEJA CAMPEÃ MUNDIAL DE FUTEBOL.

Pronto, tava feito o rolo. Esse excesso de desconfiança na seleção espanhola está custando caro para a marca, que agora tenta se defender de uma multidão de consumidores literalmente furiosos.

O problema reside no fato de que nenhuma das peças publicitárias da promoção dizia que, para participar, o comprador deveria antes se cadastrar no site da Toshiba. Essa informação só existia no próprio site. Conclusão, muitos compraram, pouquíssimos se cadastraram e a grande maioria se sentiu lesado.

Com a queixa de que a publicidade não falava nada sobre se registrar ou qualquer outra necessidade, várias associações de consumidores da Espanha entraram com ações contra a empresa, exigindo o dinheiro dos consumidores de volta.

Apesar de possuir um seguro que a salvaguardava no caso de uma eventual vitória da Espanha (e do consequente ressarcimento dos consumidores), a Toshiba não aceita devolver o dinheiro, afirmando que não havia por parte da marca nenhuma obrigação em comunicar em suas peças publicitárias a necessidade de registro do produto. Alegam ainda haver na Espanha uma conspiração armada contra a Toshiba.

Também na Espanha, o banco Banesto (pertencente ao Santander), mesmo sem seguro, abriu antes do Mundial um depósito especial comemorativo, que terá sua remuneração elevada de 3% para 4% anuais com o título conquistado pela Fúria. Essa ação custará pelo menos 10 milhões de euros adicionais ao Banesto, que apesar de tudo fez um excelente negócio. No período pré Copa, o banco recebeu depósitos superiores a 1 bilhão de euros por causa dessa “promoção”.

O Carrefour, por sua vez, teve que validar 10 mil cupons de 100 euros que poderão ser usados em compras, em virtude da Copa conquistada.

Nesse furdunço todo, o que mais preocupa são as pequenas empresas que também entraram na dança por terem feito promoções do gênero. Uma multinacional do porte da Toshiba poderia, se quisesse, assumir os custos dessa ação. Uma empresa menor porém…

Aqui no Brasil seria muito arriscado fazer algo do gênero por dois motivos: A camisa verde e amarela já provou ser páreo duro em outras Copas e a nossa legislação de defesa do consumidor é uma das mais avançadas do mundo.

Se bem que, depois da convocação do Dunga, dava até pra arriscar, fala aê?

Conar recomenda sustação da campanha de lançamento da cerveja Devassa

O Comercial que foi retirado do ar

A campanha criada pela agência Mood, que traz Paris Hilton como protagonista, foi considerada pelos consumidores e pelo Conar como sendo “desrespeitosa” e com “excesso de apelo sexual”. Com base nessas acusações o Conar recomendou a sustação da veiculação da campanha até que o julgamento aconteça.

Conforme o publicado no site do Clube de Criação de São Paulo, AQUI, a cervejaria Petrópolis, concorrente da Schincariol, também entrou com reclamação no Conar, alegando, da mesma forma, “apelo à sensualidade”. Os argumentos foram aceitos pela entidade. O Conar também aceitou as ponderações da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, que enviou um ofício ao Conselho, afirmando que considera o conteúdo do site do produto “desrespeitoso à condição feminina e de natureza sexista”.

Em resposta o Grupo Schincariol emitiu uma nota dizendo que a “empresa entende que o filme estrelado pela modelo Paris Hilton não ofende, em nenhum aspecto, a qualquer norma ou orientação emitida pelo Conar. Apesar disso, a Schincariol acata a decisão e já trabalha na defesa do caso”.

Atendendo ao pedido do Conar está sendo veiculado em TV um novo comercial atendendo aos puristas. Ideia criativa e que aproveita para levar vantagem sobre o ocorrido.

O novo comercial

Opinião do Blog

Acompanhando a campanha desde o lançamento do teaser, AQUI, vimos uma campanha típica de cerveja. Mulher bonita, homens, cerveja gelada. A típica campanha feita para não errar. Na história dos comerciais de cerveja já vimos muitos que foram extremamente criativos, fugindo desse conceito, e outros que apostaram nele, e utilizaram da figura feminina para vender.

Acredito que a sustação da campanha foi uma decisão equivocada que o Conar tomou, somando-se ao fato que uma das reclamações partiu de uma outra cervejaria. Apelo à sexualidade, natureza sexista, excesso de apelo sexual, podem ser encontrados na grade de programação da mesma emissora que veiculava o comercial. Deve se evitar abusos, mas com coerência.

Dica: Dr. Felipe Verza

Via: CCSP

Mais informações sobre a autorregulamentação publicitária: Conar