Product placement
O Livro de Eli | Crítica
abr 12th
O livro de Eli é mais uma obra pós-apocalíptica que mistura várias referências, o filme começa e você já sabe que o mundo está um caos, nas primeiras cenas vemos isso quando Eli (Denzel Washington) entra em uma casa, acha um corpo de uma pessoa estrangulada e a primeira reação sua é procura em seus bolsos se ele tem algo de valor, depois tira as botas do defunto e vendo que elas servem ele fica feliz igual uma criança que ganhou um brinquedo novo.
É uma mistura de Eu sou a lenda, Mad Max e outros filmes que tem em seu contexto roupas rasgadas, motos feitas de outras motos e muita matança por pouca coisa, no filme vemos que não há mais nenhum lugar seguro, quem vive caminhando pode se encontrar com a morte facilmente, Eli sabe disso e se arma muito bem para enfrentar qualquer um em seu caminho, pois tem uma missão importante (não vou contar obvio) e vemos que ele sabe a arte de chutar traseiros. O filme confia na inteligência do espectador e não apela para explicações cheias de detalhes, apenas fala que o livro que Eli carrega é o ultimo exemplar e que este foi uma das causas da tal guerra que acabou com a camada de ozônio e fez a luz do sol queimar tudo, só quem estava embaixo da terra ficou protegido.
Carnegie (Gari Oldman- sempre bom!) está à procura deste bendito livro e acredita que com ele possa aumentar sua influência sobre os povos que sobraram e assim conquistar mais cidades que sobraram depois do Flash.

No fim vemos porque Eli protegia tanto o livro, com um fim cheio de revelações que agrada a quase todos.
Falando das atuações: Denzel Washington é a engrenagem principal, sendo também produtor do filme, a história se segura nele para tomar forma e nos fazer entender o que acontece. Ele demonstra que ainda está bem e em forma, mais não acrescenta nada e nem piora, apenas faz sua parte. Quem rouba a cena é Gari Oldman que faz um Carnegie frio quase psicótico, com suas risadas diabólicas mostra que sabe levar muito bem um vilão a moda antiga, as outras atuações são dispensáveis, Mila Kunis apenas é a mediadora de perguntas para facilitar o entendimento da história.
O filme marca também por fazer product placement onde é quase impossível, num mundo onde tudo está destruído nem Freud explica como Denzel Washington conseguiu uma mochila tão bem cuidada da OAKLEY já que se passaram 30 anos desde a guerra, a mesma coisa eu digo de seu IPOD CLASSIC que funciona bem sendo carregado todas as noites por uma bateria portátil e também temos um megafone da MOTOROLA que Gari Oldman usa lá pro fim do filme.
Bom o filme é uma boa diversão pra quem gosta de uma história legal, mas se você procura muita ação e pouca conversa este não é seu filme, “O Livro de Eli” é uma balança bem equilibrada, não pende para nenhum lado, é uma produção madura com uma direção segura dos irmãos Hughes (que eu admiro muito pelo seu outro filme bem desenvolvido “Ambição em alta-voltagem”), fica esta dica para quem vai pegar um cinema este fim de semana.
Nota: 8,0
Ahhhhh, passa amanhã…
jan 29th
Do momento em que acordamos até a hora em que vamos dormir somos bombardeados por propagandas de todos os lados. Ao ligar a TV, o Rádio, ao abrir uma revista, ao levar o cachorro para passear, ao navegar na internet. Tem sempre alguém querendo nos vender alguma coisa. Nada contra, afinal, esse também é o meu ganha pão. O problema aparece quando o produto não interessa e o que é pior, quando o “vendedor” passa a ser chato. Artificial.
Acho que hoje a maior prova de chatice publicitária é o product placement tupiniquim (conhecido popularmente como merchandising). Foge a minha compreensão o porquê uma forma de exibição de marca/produto tão legal e habilmente usada por estadunidenses, europeus e até asiáticos, em nossas mãos, vira um momento de total vergonha alheia.
Nos filmes, seriados e clipes importados é comum ver marcas como Apple, Coca-Cola, Starbucks e seus produtos colocados escancaradamente na nossa frente. Eu só não me lembro de ter visto algum ator se referir a eles em cena. Por exemplo: Um casal deitado numa cama, conversando. Ele lendo um livro. Ela com um Macbook no colo. Eles estão falando sobre alguma coisa, mas ele não cita o livro e ela não diz nada sobre o Mac. Mas a maçã iluminada está lá apontada para a sua (minha) cara, e quer saber? Eu adoro! Queria ter um daqueles brinquedinhos! Queria ter uma mulher daquelas! Queria ter uma vida daquelas! E é isso. O product placement surtiu efeito. Não tentou me vender um produto da Apple, mas me vendeu “o sentimento de ter um produto da Apple”. Fiquei com vontade e confesso que de verdade estou louco pra comprar um Macbook. E isso acontece sempre: Queria passar numa Starbucks a caminho do trabalho para comprar café para mim e para os meus colegas da criação, queria ter uma Harley-Davidson para cruzar o país, queria um tênis da Nike para correr no Central Park.
Por falar em Nike, o @johnnytrainoti lembrou aqui de um PP no filme Forrest Gump. A namorada de Forrest lhe dá um par de tênis “especiais para corrida”. Mais tarde, quando perguntado por que ele corria o protagonista responde: “Eu apenas corro” ou traduzindo: JUST DO IT! Lindo isso!
Mas aí me vem a Rede Globo com o seu merchandising de novela: Mãe e filho na cozinha conversam. Ele em pé tomando água. Ela sentada em frente a um laptop navegando na internet. Ele diz: “Mãe, que tal se a gente fosse jantar juntos?” e ela responde “Calma filho, deixa eu fazer uma transferência no Itaú Bankline! É rápido, prático e seguro… pronto, terminei! Vamos jantar meu lindo”.
Ou ainda: Duas amigas conversam na sala. Uma terceira entra com a sacolinha da Natura (Detalhe, a casa é uma mansão e as mulheres certamente teriam dinheiro para usar produtos importados e bem mais caros, tornando a cena inverossímil), daí uma delas vira e diz: “Nossa são cremes?” (detalhe 2, como ela adivinhou?) e recebe como resposta: “Sim, são cremes! Acabei de pegar com a minha revendedora!”.
Pronto, a Rede Globo acabou de perder a oportunidade de ganhar um bom dinheiro apresentando uma bela geladeira inox da Bosch e um laptop Sony Vaio, no caso do primeiro exemplo e também de vender um Tag Heuer no pulso de uma delas e uma TV LG de 52” no segundo caso (aliás, por que a gente não vê aparelhos de tv nas salas das novelas?), tudo isso sem a necessidade de me deixar com ânsia de vômito.
E pra não dizer que não falei em flores (ou filmes), as produções nacionais também não primam pela sutileza, tendo em vista o grande número de fachadas de banco “aparecendo” durante as tomadas.
Como eu disse anteriormente, eu não entendo isso. Será que as TVs brasileiras acham que os telespectadores são tão burros que não perceberiam uma marca inserida no contexto da trama? E outra, o que é mais importante, me dizer que esse ou aquele produto/serviço quer fazer parte da minha vida ou me deixar com vontade de que ele o faça? Product placement brazuca me deixa com sentimento de vergonha alheia do ator, do canal de tv, do produto/serviço em questão e da marca.
Será tão difícil assim acertar na mosca? Não sei, só sei que agora eu vou tomar a minha Coca-Cola ultra gelada e comer as deliciosas bananinhas da Padaria Pão da Hora. Até +.
